A paracoccidioidomicose tem tratamento e tem cura. O antifúngico é oferecido gratuitamente pelo SUS. O desafio raramente é a droga — é a duração.
Duas fases
O tratamento organiza-se em uma fase de ataque, até o controle dos sinais e sintomas, e uma fase de manutenção, prolongada, destinada a evitar recidiva. As recomendações a seguir seguem o Consenso Brasileiro em Paracoccidioidomicose (Shikanai-Yasuda e cols., Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 2017).
Formas leves e moderadas
- Itraconazol — primeira escolha. Habitualmente 200 mg/dia, por 9 a 18 meses.
- Sulfametoxazol-trimetoprima — alternativa, útil quando há indisponibilidade ou interação medicamentosa. Tratamento mais longo, tipicamente 18 a 24 meses.
Formas graves e disseminadas
- Anfotericina B (desoxicolato ou formulação lipídica) ou sulfametoxazol-trimetoprima por via intravenosa, em ambiente hospitalar, até melhora clínica.
- Segue-se a transição para terapia oral de manutenção, com itraconazol ou sulfametoxazol-trimetoprima.
A prescrição, a dose e a duração são individualizadas pelo médico, conforme a forma clínica, a gravidade, as comorbidades e a tolerância. Nada aqui substitui a avaliação clínica.
Critérios de cura
A alta não é decidida por um único exame. Combinam-se três dimensões:
- Clínica — desaparecimento dos sinais e sintomas.
- Radiológica — estabilização das imagens residuais, que podem persistir como cicatriz.
- Imunológica (sorológica) — negativação dos títulos, ou sua estabilização em níveis baixos, confirmada em amostras seriadas ao longo do seguimento.
Alcançados os critérios, o seguimento ainda se prolonga, porque a recidiva é possível.
O abandono é o principal inimigo
Como os sintomas melhoram muito antes da cura, é frequente o paciente interromper a medicação por conta própria. O tratamento incompleto favorece a recidiva e agrava as sequelas.
Sequelas
Mesmo curada, a PCM pode deixar marcas: fibrose pulmonar — a mais comum e a mais incapacitante —, insuficiência adrenal, estenoses de laringe e traqueia, e comprometimento do sistema nervoso central. Daí a importância do diagnóstico precoce: quanto antes o tratamento começa, menor a sequela.
Conteúdo informativo, revisado com base na literatura científica. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure uma unidade de saúde.